A Cheia histórica de 2011

Na manhã de 4 de março de 2011, a paisagem pantaneira mudou. Da noite para o dia, estradas começaram a sumir sob as águas do Pantanal, as capivaras se espremendo em locais secos e as aves aquáticas foram se aproximando das pousadas. Nuvens escuras e chuvas intensas traziam cada vez mais água para a planície.

O acesso à Pousada Baiazinha era somente com trator.

A cada minuto, o nível das águas subia rapidamente, o espelho d’água embelezava a paisagem, as plantas aquáticas flutuavam às portas das pousadas e o número de aves migratórias aumentava com a chegada dos trinta-réis e talha-mares. Era uma visão linda e impressionante, um evento inédito até aos mais antigos pantaneiros da área. Era uma Estação Cheia histórica.

As estradas se curvavam diante da exuberante Cheia.

As estações no Pantanal representam uma constante e cíclica renovação de vida ao ecossistema, transformando campos abertos em uma grande reserva natural de alimento, conectando lagoas a quilômetros de distância, fertilizando o solo e povoando áreas extensas com várias espécies de peixes. Enquanto isso ocorre, os animais terrestres vão movendo-se para áreas secas, mas essa incrível cheia foi uma surpresa aos animais também. Queixadas correndo para se salvar, macacos isolados em árvores solitárias nas campinas e onças deitadas em grandes árvores.

O Galpão dos peões sumia entre os camalotes trazidos pela correnteza.

No começo da tarde daquele dia, quase todas as estradas e pontes já pareciam rios, as cercas e os portões lutavam para se manter em pé e a força da correnteza batia nas paredes das pousadas. Esse cenário se manteve por quase 10 dias.

O espelho d'água afogava cercas e portões.

A chance de presenciar esse acontecimento foi um privilégio e cria no coração um prazer cada vez maior de ter escolhido o Pantanal como lar.

O Centro de Interpretação Ambiental da RPPN Dona Aracy.

O Caminho ao trabalho.

Autor: Helder (gestor ambiental)