Fauna
João de Barro
O Pantanal constitui-se no maior entroncamento de flora e da fauna aquática da América do Sul. Atualmente é povoado por uma variedade de espécies encontradas na Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Chaco. Sendo principalmente uma área de intercâmbio de espécies, não abriga fauna endêmica rica, como a Amazônia ou Mata Atlântica, e são as quantidades e não as raridades que o caracterizam.
O Pantanal oferece aos visitantes uma variedade de paisagens abertas povoadas por grandes populações de animais, cuja alimentação depende basicamente da fauna aquática. Assim, nas áreas alagadas, microorganismos permitem o desenvolvimento de grandes populações de caramujos, crustáceos, anfíbios e peixes, entre outras, que sustentam uma variedade de predadores, como aves, répteis e mamíferos.
A abundância de peixes nos rios pantaneiros é mundialmente conhecida. Corimbatás, pacús, cascudos, pintados, dourados, jaús e as famosas piranhas estão entre as espécies mais comuns.
É na época das chuvas e cheia que uma grande quantidade de anfíbios pode ser vista no Pantanal. Essa classe tem extrema importância na cadeia ecológica: Controlando a população de insetos e do outro lado, servindo de alimento para classes superiores como répteis, aves e mamíferos.
Os jacarés têm papel importante nas águas pantaneiras, onde funcionam como predadores "reguladores" da fauna de peixes e, muitas vezes, como agentes relevantes na reciclagem de nutrientes.
Outro predador aquático e semiterrestre de destaque é a sucuri. Cobra que pode alcançar até 6 metros no Pantanal, e que a partir desse incomum tamanho é motivo de inúmeras lendas. Dentre as cobras mais comuns, estão os diversos tipos de cobras d'água, as jararacas, a boipeva, a caninana, etc.
As aves no Pantanal são um de seus maiores atrativos. Reunidas em enormes concentrações, exploram principalmente os ambientes aquáticos, em busca de caramujos, pequenos crustáceos e peixes. Muitas espécies nidificam em áreas comuns, sobre determinadas árvores, conhecidas como ninhais, que se destacam na paisagem pantaneira. Um espetáculo admirável é acompanhar as aves, ao anoitecer ou ao amanhecer nos dormitórios à beira dos rios, onde passam as noites.
Duas das maiores representantes das aves no mundo, encontram-se no Pantanal. O tuiuiú, ave símbolo do Pantanal, é a maior cegonha do mundo, podendo atingir até 2 metros de envergadura. A ema, típica habitante do cerrado, é a maior ave das Américas e é vista facilmente nos campos pantaneiros, sempre a procura de insetos, sementes e frutas.
Aves típicas do Pantanal são também o aracuã, a arara-azul que está em risco de extinção, o príncipe-negro e as caturritas, papagaios, os anus, as garças e os colhereiros. A enorme abundância de aves de rapina, especialmente o caracará, o gavião fumaça, e o gavião carijó, refletem a riqueza da presa animal. Uma ave bem adaptada às condições de "alagamento" no Pantanal é o gavião caramujeiro, que se alimenta de moluscos.
Entre os mamíferos que dependem das "águas", encontramos as capivaras, lontras, e ariranhas. As ariranhas são importantes predadoras de peixes, outrora abundantes, foram quase exterminadas pelos caçadores.
Animais típicos do cerrado concentram-se em grande número no Pantanal, atraídos pela fartura de alimentos das áreas alagadas. O cervo-do-pantanal, comum nas ricas pastagens úmidas, pode ser visto acompanhado por mais duas espécies de veados típicos do cerrado e por outros mamíferos, como o lobinho, o tamanduá-bandeira, a anta, o cateto, a queixada, a cutia, o coati e os tatus.
Entre os primatas, o macaco-prego e o bugio vivem juntos nas matas de Cordilheira e dificilmente são vistos circulando pelos campos.
Os maiores predadores do continente sul-americano, a onça-pintada e a onça-parda, são atraídos pela abundância de presas. A onça é um animal de topo de cadeia, ou seja, quanto mais indivíduos desta espécie estiverem presentes no pantanal melhor preservados eles estarão.
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